A Importânciâ dâ âvâliâçâo, priorizâçâo e gestâo âdequâdâ dos Riscos Socioâmbientâis
O que são Riscos Socioambientais
Riscos socioambientais são problemas que afetam tanto o meio ambiente quanto as
pessoas. Eles surgem das atividades humanas, como poluição e desmatamento por
exemplo, e podem causar danos à saúde humana, conflitos sociais e desastres naturais.
Incluem também preocupações relacionadas à perda de biodiversidade, deslocamento
de comunidades e danos à reputação corporativa.
A gestão eficaz dos riscos socioambientais implica ter em conta estes aspectos nos
processos empresariais, tanto no âmbito corporativo como das unidades operacionais,
configurando-se parte de uma abordagem hierarquicamente organizada capaz de
identificar os perigos que um projeto ou instalação oferecem ao meio ambiente, à saúde
e segurança dos colaboradores, bem como outros riscos a ele associados.
Perigos que um projeto ou instalação oferecem são assim definidos:
- ao meio ambiente: ameaças ao ser humano e aos seus bens;
- à saúde e segurança dos colaboradores, bem como outros riscos a ele
associados: medições quantitativas das possíveis consequências de um
risco, geralmente expressas como probabilidade de ocorrência de um dano.
Saiba mais em: Guias gerais sobre meio ambiente, saúde e segurança – Banco Mundial
A Evolução da Gestão dos Riscos Socioambientais
A gestão de riscos é um tema cada vez mais importante para orientar as decisões
estratégicas de uma empresa e representa a principal fonte de incertezas nas
organizações, apresentando ameaças ou oportunidades capazes de destruir ou agregar
valor aos negócios, dependendo da capacidade de cada organização para identificar
adequadamente essas incertezas e geri-las de forma proativa.
Riscos Socioambientais e a Tomada de Decisões
A análise tradicional de investimentos, baseada em dados contabilísticos, já não fornece
todas as informações necessárias para a tomada de decisões de investimento. Fatores
externos ao “core business” exercem cada vez mais pressão sobre a sustentabilidade
de uma empresa.
A avaliação dos riscos do ponto de vista dos diversos públicos afetados converte-se
numa peça fundamental para a definição das estratégias de sustentabilidade da
empresa.
Neste contexto, os riscos socioambientais geram incertezas diferentes para instituições
de crédito, investidores, sociedade civil e para a própria corporação.
Impactos pelos diferentes Setores
Riscos socioambientais e as Instituições Financeiras
As instituições de crédito avaliam os riscos de inadimplência que podem ser causados
devido a interrupções nas atividades produtivas e consequentemente na geração de
caixa de uma empresa.
São avaliados também os riscos de condenações de pagamentos de indenizações por
“perdas e danos ao patrimônio de terceiros” que possam comprometer a capacidade
da empresa de pagar as suas dívidas e o risco de degradação das garantias originada
por um desastre ou pela descoberta de atividades realizadas no passado que
comprometem o valor atual do ativo.
Por último, mas não menos importante, é o risco reputacional da associação direta das
instituições com os danos socioambientais causados pelo empreendimento por elas
financiados.
Em todo o mundo agências de rating, como o MSCI, MorningStar Sustainalytics, entre
outras, se especializaram em avaliar a adequação da gestão dos riscos socioambientais
significativos (chamados temas materiais) antes de recomendar ou não aporte de
recursos nas empresas. Estas agências criaram seus próprios métodos de avaliação do
controle que cada empresa exerce sobre os riscos relacionados aos temas ESG e são
utilizados como referências de desempenho em diferentes setores do mercado
financeiro de modo que, quando publicam ou atualizam os seus índices, os investidores
e gestores de fundos alteram as suas estratégias para acompanhar a sua carteira
teórica como uma sugestão de investimento ideal.
O Papel da Sociedade Civil
Do ponto de vista da sociedade civil organizada, as avaliações de risco associadas às
atividades empresariais têm como principal objetivo antecipar a identificação de fontes
geradoras de elementos ou substâncias poluentes ao ambiente, a fim de promover
práticas ambientais que eliminem, previnam ou reduzam os impactos causados pela
concretização desses riscos.
Os estudos de impacto ambiental – EIA – exigidos pelas autoridades licenciadoras são
um bom exemplo dos mecanismos utilizados pela sociedade civil organizada para, não
só identificar os riscos, mas também decidir se os benefícios decorrentes da instalação
de um determinado empreendimento “compensarão” os riscos a que a comunidade
estará exposta, constituindo assim a chamada “licença social de operação”.
Saiba mais sobre licença social de operação aqui.
Os riscos sociambientais e a gestão corporativa
A premissa inerente à gestão de riscos corporativos é que toda organização existe para
gerar valor às partes interessadas e o tema deve ser abordado no contexto do Conselho
de Administração, Diretoria e demais tomadores de decisão para o estabelecimento das
estratégias para identificar e controlar eventos potenciais que possam afetar o alcance
dos objetivos estratégicos de geração de valor a si e à sociedade.
A Avaliação dos Riscos Socioambientais
De acordo com a norma ABNT NBR ISO 31.000 , uma avaliação consistente de riscos
socioambientais deve considerar a identificação, magnitude dos impactos e
probabilidade de ocorrências dos cenários de risco sob o prisma social, ambiental, de
saúde e segurança ocupacionais, reputacional, legal e financeiro.
O cruzamento da magnitude do impacto e a probabilidade de que o cenário de risco se
materialize, permitirá sua classificação (crítico, alto, médio, baixo ou muito baixo) e
consequentemente a definição da profundidade dos controles que deverão ser
implementados para prevenir sua ocorrência ou mitigar seus impactos.
Saiba mais sobre a norma de gestão de riscos ABNT NBR ISO 31.000 aqui.
Uma avaliação adequda de riscos socioambientais também deve ter como objetivo
responder às seguintes perguntas:
1. O que pode sair mal?
2. Quais são as causas básicas dos eventos indesejados?
3. Quais são as consequências?
4. Qual é a frequência com que ocorrem acidentes relacionados ao cenário?
Para responder a tais perguntas o avaliador primeiro deve reunir dados relativos às
características do local, seus aspectos construtivos e operacionais, além das
peculiaridades da região onde se encontra ou será instalado o empreendimento.
Os resultados práticos esperados são a obtenção de um diagnóstico das interfaces
existentes entre o empreendimento em estudo e o local da sua instalação, e a
caracterização dos aspectos relevantes que subsidiarão os estudos de análise de risco,
definindo os métodos, orientações ou necessidades específicas
.
Conclusão
A importância da avaliação, priorização e gestão adequada dos riscos socioambientais
é de vital importância para empresas e comunidades. Os riscos socioambientais,
originados das atividades humanas podem ter impactos significativos na própria saúde
humana, no meio ambiente, nas operações e e na reputação corporativa. É essencial
integrar a gestão desses riscos em todos os níveis da empresa, desde o planejamento
estratégico até a tomada de decisões operacionais.
Ao considerar os diversos públicos afetados, incluindo instituições financeiras,
investidores e sociedade civil, as empresas podem mitigar os riscos e criar valor de
maneira sustentável.
A avaliação criteriosa dos riscos socioambientais, que leva em conta a probabilidade e
a magnitude dos impactos, é fundamental para orientar as estratégias de prevenção e
controle. Em última análise, uma abordagem proativa para lidar com os riscos
socioambientais protege o meio ambiente e as comunidades, e também contribui para
o sucesso e a resiliência das empresas a longo prazo.
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